No último domingo Interlagos foi palco da maior decisão de todos os tempos da Fórmula 1.
O texto abaixo é Manihot Kadj Oman e está disponível em (http://manihot.wordpress.com/)
Última prova.
O Brasil vê a chance de comemorar um título depois de 17 anos do bi-campeonato de Ayrton Senna.
É difícil, mas o povo crê.
O mesmo povo “pobre e sofrido” que os cinemas adoram retratar lá fora.
O adversário (inimigo!) é inglês.
Negro, jovem, filho de imigrantes.
O extremo oposto da própria Fórmula 1.
E do brasileiro, que larga em primeiro - o inglês sai, inesperadamente, somente em quarto.
A corrida segue sem sustos ou emoções. Daquelas de dar sono. A única variável emocionante é a chuva, que vai e vem.
E que resolve se tornar personagem a cinco voltas do fim.
A confusão entre carros com pneus para pista seca e carros com pneus para pista molhada faz com que muitos pilotos tenham de retornar aos boxes.
E na dança das posições, o brasileiro segue na ponta.
O inglês é quinto.
Está no limite de pontos que lhe garante o título.
O sexto, colado nele, é o alemão sensação, surpresa do ano.
Com um carro bem pior.
“Não vai dar”, todos pensam.
Mas o inglês, por conta da chuva, havia parado para trocar pneus, e o alemão vinha mais rápido.
E, a duas voltas do fim, faz a ultrapassagem.
Ouço gritos da janela, no abastado bairro de classe média alta em que vivem meus pais.
A tela mostra a torcida em absoluto delírio.
E então entra em campo a velha máxima: os últimos serão os primeiros.
E eis que nela, a última curva, um outro alemão, o quarto colocado, não tem forças pra subir por conta de problemas de tração.
O inglês torna-se quinto outra vez.
E é campeão.
O povo chora a derrota de seu piloto.
Mesmo sendo o campeão muito mais povo do que ele.
E a Fórmula 1, talvez hoje o mais elitista - e branco - dos esportes, segue o caminho do golfe e se curva ao primeiro piloto negro campeão de sua história, fã de futebol e de Ayrton Senna.
Na última prova, o Brasil perdeu para o Brazil.
Ou será que foi o oposto?
*O título é referência à famosa prova do GP da Austria de 2002 onde, por decisão da Ferrari, Rubens Barrichelo teve que brecar para deixar Schumacher passar na reta final, deixando o narrador sem palavras depois de afirmar que dessa vez a escuderia não repetiria tal gesto - narração que ficou famosa na internet.
Um comentário:
Jarbooolinoo tu ta ai do ladom ahuahhuae
mto mas mto legal o teu texto daa fórmuula um ,e sseila persistindo talvz o brasiero consigaa
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